Índice
1. Introdução
1.1. Localização Geográfica
1.2. História
1.3. Caracterização sócio-económica
1.4. Prof. Doutor Costa Sacadura, Filho de Abrunhosa-a-Velha, grande cultor da sua terra
2. Património Arquitectónico e Religioso.
2.1. Pelourinho
2.2. Janela Manuelina ou Quinhentista
2.3. Via Romana
2.4. Marco Miliário
2.5. Ponte Romana e Sepulturas
2.6. Igreja Matriz
2.7. Capela de Nossa Senhora dos Verdes
2.8. Capela de Santo António
2.9. Alminhas
2.10. Casa da Quinta da Cerca
3. Costumes, Tradições, Festas e Romarias.
3.1. As Janeiras
3.2. Carnaval
3.3. Celebração da Páscoa
3.4. Festa da Senhora dos Verdes
3.5. Festa de Santa Cecília
3.6. Celebração do Natal
4. Infra-estruturas
4.1. Infra-estruturas básicas
4.2. Desporto, cultura e lazer
4.3. Apoio médico e social
4.4. Escolas Primárias
4.5. Bombeiros
5. Associativismo
5.1. Associação Humanitária e Cultural de Abrunhosa-a-Velha
5.2. Estrela Mondego Futebol Clube
6. Turismo
6.1. Hotel Rural Mira-Serra
7. Conclusão
8. Bibliografia
9. Agradecimentos
Abrunhosa-a-Velha é o tema deste nosso trabalho, não só por ser a nossa terra natal, mas por ser uma terra onde se respira ar puro e onde paira a liberdade e a harmonia.
Com este trabalho pretendemos mostrar alguns aspectos relevantes de Abrunhosa-a-Velha, como sejam: a sua história, os seus monumentos, o seu importante associativismo, turismo, que é aqui demonstrado com o Hotel Mira-Serra e as suas Infra-estruturas.
Professor Doutor Sebastião da Costa Sacadura, eminente cientista, oriundo desta terra é um homem a quem Abrunhosa-a-Velha deve muito, e de quem neste trabalho é muito falado.
Rasgada no monte, virada a sul, banhada pelo Rio Mondego, Abrunhosa-a-Velha vigia a Serra da Estrela na sua vertente oeste. Freguesia do Concelho e Comarca de Mangualde, Distrito e Diocese de Viseu. Orago Santa Cecília. Os seus filhos são muitos milhares, dispersos pela geografia do globo. Aqueles que habitam as três povoações da Freguesia, Abrunhosa-a-Velha, Vila Mendo de Tavares e Gouveia-Gare (topónimo proveniente da radicação da estação de caminho de ferro mais próxima de Gouveia e da Serra da Estrela) não ultrapassam o nº de oitocentos.
A sua área de 1738 ha tem a norte a Freguesia de Chãs de Tavares, a nascente o Concelho de Fornos de Algodres, o sul o Rio Mondego e o Concelho de Gouveia, e a poente a Freguesia de Póvoa de Cervães e a Cidade de Mangualde.
Dista a meia dúzia de km da IP5, nó de Chãs de Tavares e vinte km da sede de Concelho. É atravessada e servida, com um apeadeiro e uma estação, pela Linha da Beira Alta.
Quando no séc. XVIII, os Pais Amaral de Mangualde, foram feitos donatários de Abrunhosa-a-Velha, tomou a Povoação, a categoria de Vila e passou a chamar-se Vila Nova de Abrunhosa-a-Velha. Juntamente com a povoação de Vila Mendo de Tavares, formaram um só concelho, o de Tavares, com Juiz Ordinário, Comarca e respectivos escrivães e oficiais. Teve Capitão-Mor com cinco Companhias de Ordenança. A Superintendência dos dízimos, estava no Juízo de Fora de Mangualde e Tavares e estendia-se a mais dois Concelhos pequenos, extintos há muito. Um deles pertencia à Ouvidoria de Linhares e outro ao de Penalva do Castelo. Donatária, a Coroa (1811).
Os mais novos repartem-se pelos serviços, indústria e pelos estudos. Para a realização destas actividades é necessária a deslocação para Mangualde, onde estão situados os postos de trabalho e escolas do Ensino Básico 2º e 3º Ciclos e Secundária.
Os mais velhos, dividem-se entre as explorações agrícolas e pecuárias, algumas das quais com produção de queijo de ovelha curado da região da Serra da Estrela.
Além dessas actividades, há também algum trabalho de artesanato, sobretudo Arraiolos, que apesar de não ter origem nesta região, é também aqui trabalhado.
Uma parte da população trabalha ainda na Construção Civil.
A maior parte da população aqui residente é envelhecida, apesar de haver um número considerado de jovens. A causa da população envelhecida é sem dúvida devido à diminuição da natalidade e emigração. Os jovens partem para outros países à procura de melhores condições de vida, e já voltam definitivamente com uma certa idade.
O Professor Doutor Sebastião Cabral da Costa Sacadura foi um ilustre filho de Abrunhosa. A ele se deve em muito o desenvolvimento desta terra. O seu infindável amor ao chão que o viu nascer levou-o a não esquecer nunca Abrunhosa-a-Velha. Foram muitas as obras realizadas por ele, entre elas: as Escolas Primárias, Casa de Repouso (actual Hotel Mira-Serra), estação de Correios, Estação de Caminhos-de-ferro, além de muitos outros melhoramentos. Em sua homenagem o povo ergueu um busto no Largo de Santo António, junto às escolas com o seu nome.
Nasceu em Abrunhosa-a-Velha, a 17 de Julho de 1872, foram os seus pais, o negociante José da Costa Gomes e uma senhora de boa linhagem beirã, D. Maria da Glória Cabral de Sacadura, da vizinha povoação de Mesquitela.
Tendo feito o seu exame de instrução primária, aos nove anos, na cidade de Viseu, logo seu pai pensou em conduzi-lo à cidade do Porto, onde ficaria confiado aos cuidados do senhor João Pinto Nogueira, negociante de panos, na Praça de Carlos Alberto. Ali, no coração da cidade essencialmente comercial, ao contacto de patrões, ávidos de vender, e de fregueses, desejosos de comprar, o jovem Sebastião podia e devia fazer-se um bom balcão, capaz de vir a herdar a loja de seu pai.
Os seus dotes naturais e educação depressa foram notados, gerando-se o conselho de que deveria continuar os estudos, o que assim aconteceu. Partiu para Viseu, onde começou o seu curso liceal. Tinha então dez anos e, como estava separado da família, franzino, tímido e triste, tornou-se notado pela facilidade como aprendia e retinha.
Ao findar em Viseu o seu curso liceal, com dezasseis anos, obteve um prémio de dez mil reis, uma das maiores alegrias, que teve na sua longa vida.
Queria ser médico, ambicionava tirar o curso da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, mas não tinha recursos para realizar este programa.
Costa Sacadura foi matriculado na Escola Politécnica, para tirar as suas cadeiras de preparatórios e matricula-se dois anos depois na dita Escola Médico-Cirúrgica. Assim, foi tirando o seu curso sem perder ano nenhum.
Durante o ano lectivo de 1896-97, Costa Sacadura, frequentando o 4º ano de Medicina, exerceu o cargo de externo da Enfermaria nº 6 do Hospital do Desterro, e, no ano lectivo seguinte, foi nomeado interno, com atestados e louvores, passados pelo Director da mesma enfermaria, Professor Alberto da Costa.
Conclui o Curso de Medicina e prossegue a sua carreira como médico, investigador e professor.
Na sua e nossa terra aplica também o seu talento e o produto do seu trabalho, suportando pessoalmente investimentos de valor para a comunidade.

O pelourinho, símbolo de poder autárquico e judicial, situa-se no Largo do Pelourinho, em frente ao antigo município e cadeia (actual edifício sede da Junta de Freguesia). Este monumento está classificado como imóvel de interesse público, através do Decreto-lei nº 23122 de 11/10/1933, o que manifesta as suas atribuições de justiça e atribuições administrativas do passado. O Pelourinho de fuste octogonal, encimado por uma moldura e rematado por uma pirâmide de oito faces, desenvolvida após forte estrangulamento, assenta numa plataforma de quatro degraus.

Na casa que se presume tenha servido de habitação do Juíz encontra-se uma Janela Manuelina ou Quinhentista. O edifício apresenta características arquitectónicas tipicamente beirãs com o tradicional alpendre e escadas em granito.
Já a civilização romana saboreou Abrunhosa. Há vestígios da sua presença, desde logo a via romana de Viseu à Guarda, por Viso, Fagilde (ali transpondo o Sátão e o Dão), Roda e Mangualde, Sra. do Castelo, Almeidinha, Cassurães e Abrunhosa-a-Velha, atravessando depois o Mondego em direcção a Linhares.
Em 1 de Junho de 1938, José Coelho identificou três marcos miliários encontrados na povoação de Abrunhosa-a-Velha. Posteriormente, Moreira de Figueiredo refere um outro proveniente do mesmo sítio. Na altura foram todos eles levados para o futuro Museu Etnológico da Beira, em Viseu. Actualmente apenas se conhece o paradeiro de um, que integra a colecção epigráfica da Assembleia Distrital de Viseu com o número de inventário 605.
Os marcos miliários utilizados pelos Romanos eram colunas colocadas ao longo das estradas marcando as distâncias em milhas. Continham uma inscrição onde, para além da distância, poderia vir também referido o nome e títulos do imperador que construiu ou reparou a via.
Um segundo marco de Abrunhosa-a-Velha, apenas conservava algumas letras referindo o imperador Numeriano, que governou nos anos de 283 e 284.
Os outros dois marcos já pouco ou nada conservavam das suas epígrafes.
A 100 metros do Rio Mondego, e a uns 150 metros a nordeste das ruínas de uma antiga ponte, encontram-se, numa área bastante reduzida, restos de materiais de construção de origem romana (tegulae, imbrices e tijoleiras) e ainda vestígios de um caminho lajeado.
Existem ainda restos de uma antiga ponte, composta por silhares bem aparelhados.
A par dos vestígios romanos, encontram-se duas sepulturas ovaladas escavadas na rocha. São testemunhos medievais, o mesmo podendo acontecer com a referida ponte. Ambas as sepulturas se destinavam a crianças, pois medem somente 0,80 metros.

A Igreja Matriz, implantada no centro da povoação, mais propriamente no Adro de Santa Cecília, é caracterizada por linhas simples e alguma talha dourada. Tem pórtico oval na porta principal.
Há cerca de dez anos foi restaurada interior e exteriormente.

A cerca de 2 Km da Povoação, encontra-se a Ermida de Nossa Senhora dos Verdes, cuja fundação anda por 1600. Com efeito, uma Bula do Papa Paulo V (1608), concede indulgências especiais à Irmandade de Nossa Senhora dos Verdes de Abrunhosa-a-Velha. A Capela foi erecta devido à existência de uma praga de gafanhotos que exterminou toda a vegetação verde por todo o Concelho de Mangualde, parte do de Fornos de Algodres, indo além da Serra do Bom Sucesso e alcançando a Freguesia do Castelo (Penalva do Castelo). Desde essa época até hoje, na Segunda-Feira do Espírito Santo, vêm ali em romaria religiosa e pitoresca, os devotos de muitas Freguesias circunvizinhas.
A capela é composta por uma comprida nave a que se associa um corpo mais curto, na cabeceira com altarzinho de talha e tecto revestido de quadros pintados a óleo.
A torsa quinhentista da porta lateral do sul e a da janelinha quinhentista da cabeceira revelam uma mais antiga construção.
A Lenda da Senhora dos Verdes
Certo dia, uns caminhantes, ao passar por ali, detiveram-se para matar a sede na fonte. Enquanto bebiam, repararam numa bonita imagem de Nossa Senhora, como colocada ali ao lado.
Foram de acordo em procurar a Igreja da povoação para a deixar, pois de lá devia ser. Assim fizeram. Não sendo de lá, concordou o velho Pároco em que o mais avisado seria guardá-la até que aparecesse dono.
Misteriosamente, a imagem desapareceu, voltando a ser encontrada meses mais tarde na mesma fonte, mas desta vez com visível milagre, por ser Agosto e estar rodeada de neve.
O povo interpretou a vontade da Senhora em estar naquele local, erigindo uma Capela com a invocação de Nossa Senhora das Neves.
Séculos mais tarde, uma terrível praga de gafanhotos assolou continuadamente as culturas, pondo em causa o sustento da região.
O povo invocou a Senhora das Neves, a praga teve fim, e os campos reverdejaram.
Em razão do sucedido, como agradecimento, mudaram o título da invocação para Nossa Senhora dos Verdes.
Junto às Escolas, no Largo que lhe dá o nome, situa-se a Capela de Santo António.
É uma obra de linhas simples, que além das celebrações litúrgicas, é utilizada como Casa Mortuária.
As alminhas são um património comum e popular de que existem exemplos de uma rara beleza em Abrunhosa-a-Velha. Esses monumentos singelos gozam do respeito da população embora alguns estejam danificados por actos de vandalismo inqualificável.
O Papa Pio V, através de um decreto, lembrou aos fiéis da existência do Purgatório e que as almas retidas nele são julgadas pelo Sufrágio dos fiéis.
Solicitou aos Bispos que se esforçassem para que a doutrina sobre o Purgatório ensinado pelos Padres fosse acreditada. Esta doutrina fez com que muitos artesãos e artistas criassem e produzissem inúmeras Alminhas.
As Alminhas são pequenas, simples e singelos monumentos de piedade religiosa erguida quase sempre junto aos caminhos rurais.
A Casa da Quinta da Cerca, pertenceu à família Pais do Amaral, com casa solarenga e capela.
No séc. XVII, Francisco de Amaral Cabral, capitão-mor de Tavares, juntamente com sua mãe, D. Feliciana do Amaral, instituem o morgado de Abrunhosa e constrói a actual casa, mas todo o seu esforço foi concentrado na capela dedicada ao Santíssimo Nome de Jesus.
De facto, a casa é de linhas bastante simples e modestas, tendo já alguns acrescentos actuais e umas lamentáveis janelas de alumínio. Destaca-se somente um brasão, cravado na esquina da casa, dos Cabrais e Amarais. Quanto à capela, já nada existe actualmente. O retábulo foi vendido em 1966 a um comerciante de antiguidades de Viseu e o restante espólio desapareceu.
Transformou-se, assim, em tulha, restando apenas uma porta encimada por um brasão de calcário com as armas dos Pais do Amaral e com elmo guarnecido.
Nos inícios do séc. XVIII, o morgado passa para a família Pais do Amaral, através do casamento de Miguel Pais do Amaral com D. Maria Arcângela de Castelo Branco, senhora da casa do Canedo e de mais cinco morgados, incluindo o de Abrunhosa-a-Velha.
Neste momento, a Quinta da Cerca já não pertence a esta família.
É tradicional, no dia 1 de Janeiro, as pessoas juntarem-se em grupos mais ou menos numerosos, para de porta em porta cantarem as Janeiras, sendo retribuídos com iguarias da época.
Dê-nos cá a Janeirinha
Se lá a houver de dar
Nós somos de muito longe
Não podemos cá voltar.
No dia de Carnaval, as crianças, jovens e adultos formam o chamado Rancho de Carnaval.
O Rancho percorre as ruas da povoação, dançando canções feitas por homens da terra e acompanhados por alguns elementos da Banda de Música. Há também os chamados Entrudos, vestidos com roupas velhas e com um pau, para assustarem as crianças e todos os que andam na rua.
A festa da Páscoa começa com o Domingo de Ramos. Neste dia, no Largo de Santo António, as pessoas reúnem-se para a bênção dos ramos. Estes são feitos de oliveira, alecrim e loureiro.
Em sexta-feira Santa, é feita a Via-sacra ao vivo, ou seja, o caminho que Jesus percorreu até à morte.
Esta encenação é feita pelas ruas da povoação até chegar ao cimo do Hotel, onde está situada a Capela de S. Sebastião. É aí que termina a encenação da Paixão, com a crucifixação de Cristo.
No Domingo de Páscoa, a campainha anuncia a chegada da cruz, que entra de casa em casa, anunciando a Ressurreição de Cristo. As famílias reúnem-se para beijar a cruz.
Em Domingo de Pentecostes, que varia no calendário todos os anos, temos a festa de Nossa Senhora dos Verdes.
A Procissão inicia-se na Igreja Matriz, onde se incorporam a Banda de Música, os andores enfeitados pelas senhoras da terra, a Irmandade de Nossa Senhora dos Verdes e os muitos fiéis.
Na Ermida, já repleta de romeiros vindos das povoações vizinhas, que ali acorrem para pedir à Virgem um ano de boas colheitas, é celebrada a missa campal.
Terminada a Liturgia, chegam os pastores com os seus rebanhos orgulhosamente enfeitados para a tradicional romaria.
Chegada a hora do almoço, o verde dos campos cobre-se de coloridas toalhas para serem comidas as merendas.
No início da tarde, começa a ouvir-se do coreto as primeiras melodias tocadas pela Banda e não tardam os primeiros passos de dança.
Terminada a festa, os romeiros regressam a suas casas cantarolando:
Ó Virgem Senhora dos Verdes
Ai quem vos varreu o terreiro?
Foram as meninas da Abrunhosa
Com um raminho de loureiro.
A Padroeira de Abrunhosa-a-Velha é a Santa Cecília, também patrona dos músicos. Esta festa é celebrada a vinte e dois de Novembro.
Logo de manhã é celebrada missa, abrilhantada pela Banda de Música, assim como a procissão que se segue.
O almoço é realizado na Casa da Cultura, onde se incorporam todos os elementos da Banda, já que esta festa é sua, e todas as pessoas que se quiserem associar a este almoço convívio.
À tarde realiza-se o tradicional leilão.
No final da tarde é oferecido pelo Pároco da terra um lanche a toda a comunidade.
As tradições ainda perduram. As famílias reúnem-se à volta da mesa para cearem as batatas e o bacalhau cozido.
Dirigem-se ao Adro da Igreja, onde está uma enorme fogueira, acesa pelos jovens com a idade de prestar serviço militar.
À meia-noite é celebrada a Missa do Galo.
Os mais corajosos ficam até de manhã à volta da fogueira.
A fogueira tem um significado muito importante: Aquecer o menino após o seu nascimento.
No dia de Natal é celebrada a Missa das crianças. À noite é realizada uma festa de Natal com peças de teatro e canções alusivas à época.
Abrunhosa-a-Velha dispõe das Infra-estruturas de base: rede de saneamento básico e água, energia eléctrica desde 1951e recolha de lixos.
Tem razoáveis acessos rodoviários. É servida com um apeadeiro, pela Linha da Beira Alta. Recentemente remodelado, o que o torna no apeadeiro modelo do país.

Dispõe de Piscinas Públicas, inauguradas há cerca de quatro anos, pela Junta de Freguesia juntamente com a Câmara Municipal de Mangualde.
A Casa da Cultura, equipada para actividades culturais, conferências e outro género de actividades.
Tem ainda dois campos de futebol, um de futebol de onze e outro de futebol de cinco, muito procurados pelos jovens.
No largo onde se situa a Casa da Cultura, e Sede do Estrela Mondego Futebol Clube, as Piscinas e o Campo de Futebol de cinco, também existe para os mais novos um Parque Infantil, bem conservado.
Além de todas estas Infra-estruturas, importa saber da existência de um Posto Médico e Farmacêutico e da Casa dos Três Pastorinhos, ao serviço da infância e apoio ao domicílio dos idosos.
É a única terra do Concelho de Mangualde, que é servida por uma Estação dos Correios, sob a responsabilidade da Junta de Freguesia. No mesmo edifício, irá entrar em funcionamento brevemente o Posto de Turismo – Biblioteca – Museu e Espaço Internet.

As Escolas Primárias, instaladas hoje em edifícios modernos e de magníficas condições higiénicas têm, por Decreto de 22 de Dezembro de 1932, o nome do Dr. Costa Sacadura.Em frente das Escolas, encontra-se um Busto do Dr. Costa Sacadura, que foi erguido, em 1966, em sua homenagem pelo povo de Abrunhosa-a-Velha.

Outra das infra-estruturas de grande importância, e singular em todo o concelho, é a existência de uma secção de Bombeiros. Trata-se de um destacamento dos Bombeiros Voluntários de Mangualde contando com cerca de 30 homens em regime de voluntariado. Em termos de meios, dispõe de um quartel devidamente equipado e três viaturas, sendo duas delas de fogo e uma ambulância.
Esta secção foi oficialmente aberta em 27 de Junho de 1999, fruto de um trabalho conjunto da Associação dos Bombeiros Voluntários de Mangualde, Junta de Freguesia de Abrunhosa-a-Velha e todos os Abrunhosenses que se empenharam a fundo neste projecto.
Actualmente, esta secção presta um importante serviço de socorro, não só nas povoações vizinhas, mas também em todo o concelho e fora deste quando solicitada.
Esta associação teve o seu início em 1872, com oito elementos, sob a orientação do Senhor Professor António Costa Pais. Em 1882, já tinha vinte e cinco elementos, sendo-lhe então dado o nome de Filarmónica Boa União. Por volta de 1938, foi interdita por desentendimento entre o Pároco e a Direcção de então. Em 1948 (dez anos depois), juntou-se um grupo de homens da terra, e foram falar com o Senhor Bispo, tendo sido levantada a interdição mediante o pagamento de 1000$00 por ano, sendo-lhe então posto o nome de Associação Humanitária e Cultural de Abrunhosa-a-Velha, nome que ainda hoje ostenta.
Esta associação tem sede própria, inaugurada acerca de quatro anos e situada na Rua da Filarmónica.
Os primeiros pontapés devem ter começado por volta de 1940, no entanto a sua fundação deu-se em 1950. Trata-se de uma associação dedicada à prática do desporto, principalmente do futebol.
Conta com várias participações em torneios e campeonatos distritais, muitos deles pautados por vitórias.
Hoje em dia o Estrela Mondego Futebol Clube tem investido mais nas camadas jovens, tendo uma equipa de Iniciados e Juniores a jogar no Campeonato Distrital da Associação de Futebol de Viseu.
O Hotel Mira-Serra, foi construído em 1927, pelo grande Benemérito e eminente Cientista Professor Doutor Costa Sacadura, funcionando como Casa de Repouso. Situado num local aprazível com uma deslumbrante vista panorâmica para a Serra da Estrela, serviu para recuperação de doentes do foro pulmonar, devido ao seu clima e à pureza das suas águas.
Transformou-se mais tarde em Hotel de três estrelas, sendo muito procurado sobretudo por estrangeiros oriundos das Ilhas Britânicas.
Após um período de decadência, foi recentemente recuperado, sendo neste momento uma das mais modernas unidades hoteleiras da região.
Existe na mesma propriedade do Hotel, a Capela de S. Sebastião, virada ao vale e à Serra da Estrela, mandada erigir pelo Dr. Costa Sacadura.
Temos também de referir os muitos painéis de azulejos existentes nesta propriedade.
Em suma, Abrunhosa-a-Velha é sem dúvida um lugar aprazível e saudável, onde as pessoas esquecem os problemas que os afectam. A saudável convivência entre a história de um povo, as raízes profundas do interior beirão e o progresso que sempre esteve presente, fez de Abrunhosa uma aldeia de características únicas e muito singulares. Tudo isto, aliado à simplicidade, hospitalidade e orgulho das suas gentes prevê um futuro promissor e de desenvolvimento para a aldeia.
Terminamos, com a musicalidade de algumas canções de Abrunhosa, retratos da terra, das gentes e das suas vivências:
Abrunhosa tão formosa
És rainha de beleza pura
Infinita, regozija
Almas tristes cheias de candura.
Quem vier para Abrunhosa
Fica todo embasbacado
Seja velho ou já de idade
Seja solteiro ou casado.
Olhem para “O Mira-Serra”
Esse nome, essa altivez
Linda casa que é ela
Foi de um nobre português.
-//-
Esta marcha de Abrunhosa
É uma marcha popular
Ouvindo a melodia
Todos a querem cantar.
Cantam velhos, cantam novos
Cantam todos com ardor
Esta marcha que é nossa
E foi feita com amor.
Abrunhosa-a-Velha querida
Cheia de encanto e beleza
És de todas as aldeias
Talvez a mais portuguesa.
.
És terra hospitaleira
Como tu não há igual
És a mais bonita aldeia
Deste nosso Portugal.
Tem estação dos correios
Centro médico e de cultura
A linha da Beira Alta
E Escolas, que ventura.
Nossa Senhora dos Verdes
Dos campos é protectora
E Santa Cecília a padroeira
Desta terra encantadora.
Tem águas medicinais
Junto ao Hotel Mira-Serra
Este que agora é orgulho
Da nossa querida terra.
O pelourinho está firme
No centro da bela aldeia
Que foi Vila noutros tempos
Com tribunal e cadeia.
Abrunhosa-a-Velha tem
Um povo forte e sem medo
Ao cimo a Serra da Pousada
Ao fundo o Rio Mondego
É sede de Freguesia
E tem muitas tradições
Tem Banda, Teatro e Clube
Que arrastam as multidões.
Terras e Gentes de Mangualde – Boletim Municipal; págs.13,14,15,16,17, 19, 20, 21, 22, 23; número dois, Março e Abril de 1996.
À Descoberta de Portugal; edição de Selecções do Reader’s Digest; pág.78; Maio de 1982.
Correia, Alberto; Mangualde – Roteiro Turístico; Edição Câmara Municipal de Mangualde; Págs.78, 79, 80; 1997.
Mendes, Luís Filipe Martins de Almeida; Póvoa de Cervães – A Terra e as Gentes; pág.9.
Cardoso, Anabela dos Santos Ramos; Casas Solarengas do Concelho de Mangualde; pág.43; 1994.
Maria Luiza; Em louvor duma terra onde se vive em paz; 1936.
Machado, J.T. Montalvão; Prof. Dr. Sebastião Cabral da Costa Sacadura; Boletim Clínico dos Hospitais Civis de Lisboa; Págs. 708, 709, 710, 711, 712; volume 30, nº ¾; 1996.
Gomes, Luís Filipe Coutinho; Carvalho, Pedro Sobral de; O Património Arqueológico do Concelho de Mangualde; Câmara Municipal de Mangualde; Págs. 10, 11,12; 1992.
Internet – www.abvmangualde.com
www.abrunhosaavelha.home.sapo.pt
Junta de Freguesia de Abrunhosa-a-Velha
Hotel Mira-Serra
Associação Humanitária e Cultural de Abrunhosa-a-Velha
Associação dos Bombeiros Voluntários de Mangualde – Secção de Abrunhosa-a-Velha