 Clube de Mestres Introdução Esta ideia, começo por designá-la desta forma (ideia), por não pretender ainda classificá-la ou conotá-la com um clube ou outra qualquer designação balizante, por esta razão faço desde já cair a designação Clube de Mestres embora continue a usá-la por uma questão comunicativa. O que em seguida passo a expor, ocorreu-me por ter a percepção que: - uma parte significativa dos nossos alunos, sobretudo aqueles que vivem em regiões com características de interioridade ou rurais, não dispõem de meios de se evidenciar nas áreas da sua preferência e/ou aptidão: - os encarregados de educação desses alunos questionam, muitas vezes indirectamente, as oportunidades que as escolas (não) proporcionam aos seus educandos; - se pretende que as autarquias cada vez mais se envolvam em actividades escolares; - os sectores económicos privados se mostram receptivos, muitas vezes disponibilizando-se mesmo economicamente para auxiliar na formação dos jovens com, entre outros, o intuito de angariar mão de obra para as suas equipas de trabalho. Poderia enumerar tantas outras situações que me levaram a reflectir sobre esta ideia e outras tantas que me ocorreram já com este processo construtivo em amadurecimento, entendo que não será necessário, ficam aquelas que me pareceram mais significativas. Pretendo então dotar as escolas de um meio para poderem valorizar directamente os alunos com potencialidades e apetências específicas, consequentemente valorizar-se a si própria e á região através dos seus valores humanos. Prólogo Tomando como ponto de partida a dificuldade que muitos alunos reflectem em prosseguir uma área especifica do conhecimento, sejam essas dificuldades devido a condicionantes económicas, de tempo ou espaço para as realizarem, de recursos físicos ou tão só, por falta de acompanhamento, surgiu-me a ideia de criar um regime de mecenato para alunos dos três ciclos do ensino básico, secundário ou mesmo superior. Este projecto assenta no pressuposto da valorização pessoal de cada aluno, mas também servirá como motivação para todos os demais. A própria comunidade / sociedade envolvente será implicada, desde o indivíduo em particular, passando por comerciantes, empresários e entidades públicas. Linhas gerais de funcionamento Cada aluno interessado, deverá propor uma realização na área específica para que se encontra motivado, um docente autoproposto desse departamento curricular avaliará a exequibilidade do projecto procurando sempre que o mesmo se realize. Após esta fase, será disponibilizado (dentro do possível) o material necessário, o espaço adequado, um horário compatível com o do aluno e atribuída, a esse professor, a função de supervisionar o desenrolar do trabalho, entenda-se que este docente não terá de permanecer num dado local por um tempo atribuído, antes deverá ir observando espaçadamente no tempo, o desenvolvimento do trabalho e dando orientações (técnicas e nunca outras que limitem em termos de forma ou criatividade), será ainda da sua responsabilidade atribuir uma hierarquia de importância aos projectos para que, caso haja condicionantes económicas ou outras, seleccione os projectos com maior potencialidade. No final do ano lectivo, realizar-se-á uma exposição de todos os trabalhos e eleitos aqueles que reúnam condições de participar num concurso a nível concelhio. Esta entidade (câmara municipal), terá a responsabilidade de disponibilizar o espaço e demais necessidades que o evento justifique, bem como participará activamente, juntamente com as escolas, na divulgação das exposições e identificação dos vencedores e mecenas que o desejem, em meios de imprensa regional. Relativamente ao espaço físico e demais necessidades, estas poderão ser suportadas por entidades da região que se disponibilizem para o efeito, eventualmente, começaria aqui o mecenato. Para esta fase, será convidada pela escola e autarquia a população local, desde o indivíduo em particular, passando por comerciantes, empresários, entidades públicas e em particular, as personalidades e empresas mais ligadas às áreas desenvolvidas, para um evento expositivo dignificante que durará sempre alguns dias, facilitando as visitas e culminando numa data estabelecida, em que um determinado júri fará a eleição do melhor trabalho em cada área, para o prosseguimento do escrutínio numa fase ainda mais alargada do território. Em cada momento expositivo, qualquer interessado se poderá tornar mecenas do(s) aluno(s) que entender (desde o auxiliar de acção educativa ou docente, passando pelo individuo anónimo ou comerciante, até ao empresário ou personalidade pública). O mecenato assentará num protocolo subscrito com a humildade e boa fé de quem pretende ser solidário por um lado e auxiliado por outro, ou seja, entre a entidade / pessoa interessada e o encarregado de educação do aluno ou mesmo com o próprio se superior de idade. O mecenas nunca deverá fazer entregas de dinheiro e tão pouco haverá um valor estipulado. Pretende-se que esses estímulos surjam em materiais, bibliografia, patrocínio nas visitas de estudo ou outras a locais de interesse para o aluno na área explorada, qualquer outro incentivo não monetário que mereça a concordância do encarregado de educação. Em última instância cabe à escola supervisionar este funcionamento. O aluno beneficiário deste auxílio, poderá ter mais que um mecenas, se estes surgirem e houver entendimento entre as partes interessadas. O discente beneficiário deverá continuar a desenvolver esse ou outros trabalhos, pelo menos enquanto os apoios se mantiverem. Mais valias para os intervenientes Para o aluno Valorização da auto-estima. Possibilidade de desenvolver trabalho na área mais apetecível. Motivação para explorar as suas capacidades especificas. Motivação para a continuidade no trabalho de investigação. Maior dedicação. Acompanhamento personalizado por um docente da área. Maior sustentabilidade do processo de aprendizagem. Reconhecimento cognitivo, imaginativo e humano por parte dos demais. Realização de “sonhos”. Reconhecimento das facilidades e adversidades da área especifica de exploração. Responsabilização. Valorização do mérito. Desenvolvimento do talento próprio. Para os alunos não envolvidos Estimulo para a participação. Ambição de auspiciar o mesmo reconhecimento daqueles que já o conseguiram. Ambição de auspiciar o usufruto das regalias obtidas por aqueles que “já venceram” neste desafio. Convívio, troca de saberes e experiências com aqueles mais doutos. Possibilidade de, bem perto, poderem apreciar alguns trabalhos mais eruditos dos seus pares. Desvalorização da inibição. Para a escola
Fomentar o trabalho de investigação. Valorizar os seus recursos humanos e materiais. Reconhecimento dos valores humanos da escola (alunos, docentes e pessoal auxiliar). Reconhecimento social do trabalho desenvolvido em meio escolar. Valorização/reconhecimento da escola como entidade construtora do “Eu”. Valorização/reconhecimento da escola como entidade geradora de valores humanos para a região. Implicar a comunidade escolar na participação em actividades valorativas dos seus jovens. Promover a partilha e troca de saberes entre os alunos. Ocupação de alunos em tempos não lectivos. Responsabilização. Municípios Possibilidade de aferir e promover atempadamente os valores humanos da região. Promover a partilha e troca de saberes entre os seus concidadãos. Fomentar a fixação da população jovem à sua região natural através do vínculo afectivo do mecenato ou, mais tarde, da empregabilidade desses munícipes. Promoção da região através do valor cognitivo e de empreendedorismo dos seus jovens. Implicar a comunidade na participação em actividades valorativas dos seus jovens. Implicar a comunidade na participação em actividades culturais e de divulgação dos seus valores. Implicar os empreendedores da região e identificar os seus interesses. Projecção da região através dos alunos e trabalhos. Responsabilização. Solidariedade. Docentes Motivação para o empreendedorismo em áreas específicas da disciplina. Motivação para o trabalho de investigação em áreas específicas da disciplina. Reconhecimento da importância da sua área disciplinar. Reconhecimento do seu valor e empenho na perspectiva do auxilio prestado ao aluno. Satisfação profissional. Solidariedade. Encarregados de Educação
Reconhecimento do valor cognitivo, imaginativo e humano do seu educando. Apreciação da instrução possibilitada pela escola em contrapartida às limitações de diversa ordem que por vezes o encarregado de educação tem para acompanhar o seu educando. Possibilidade de participação mais individualizada num trabalho de âmbito académico desejado pelo seu educando. Valorização pessoal e reconhecimento institucional da escola pela dedicação à causa académica. Libertação de alguns encargos económicos. Mecenas Projecção / divulgação. Reconhecimento cívico. Reconhecimento social. Valorização da auto-estima. Valorização do “investimento”. Conhecimento / captação atempada de valores humanos adequados à empresa / entidade. Eventual retribuição com valor cognitivo por parte do aluno. Solidariedade.
Outros dados
Orçamentação Em função dos projectos. Num primeiro momento, o financiamento seria da escola de acordo com as possibilidades e auto-financiamento do aluno pelo seu encarregado de educação. (entenda-se neste capitulo que o financiamento poderá ser tão só o valor de um caderno e uma esferográfica, um suporte e material cromático ou mesmo a oferta dos custos de uma dada visita de estudo; tudo dependerá do valor do projecto e das possibilidades económicas existentes).
Calendarização
Exposições anuais. Até meados de Abril – exposição na escola. Até meados de Junho – exposição no município concelhio. … Júris (uma proposta)
Na escola Docente da área 40% Docentes 15% Pessoal auxiliar 15% Encarregados de Educação 15% Alunos 15% Na autarquia Docentes da área eleitos pela escola 15% Membros dos Concelhos Executivos 15% Presidente de Câmara ou delegado 15% Membros dos pelouros da cultura 15% Representantes de Associações Culturais 15% Representantes do comércio, industria e serviços 15% Visitantes da exposição 10% … As exposições As exposições deverão sempre, quer no espaço escolar, quer no espaço designado pelas autarquias, privilegiar a salvaguarda e dignificação dos trabalhos. Deverão ser antecedidas da maior e melhor divulgação possível. (na escola) Delas, deverá resultar a divulgação dos participantes e vencedores no seu jornal e/ou outros media da região. (na autarquia) Delas, deverá resultar a divulgação dos vencedores e eventualmente dos mecenas se assim o desejarem, nos media da região. Sitio da Internet
Seria de grande interesse gerar um sítio onde os intervenientes pudessem trocar informações, os alunos e as escolas divulgariam as actividades em que estão envolvidos, as autarquias divulgariam as actividades eleitas pelos júris, os alunos e os mecenas, as empresas conheceriam os projectos desenvolvidos (e em desenvolvimento?), poderiam tornar-se mecenas de um qualquer aluno/projecto de uma qualquer zona do país percepcionando outros valores humanos de zonas mais distantes. Certificados Para todos os participantes (alunos, professores, escolas, municípios e mecenas) deverão ser emitidos certificados, com qualidade proporcional ao nível da eliminatória. |